Arquivo para Ecologia & Conservação

Pássaro Cativo

Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro na mata livre
em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.

Da selva em que nasci; da mata entre os verdores,
tenho frutos e flores, sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi…
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido.

Entre os galhos das árvores amigas…
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?

Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas!

Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade…
QUERO VOAR! VOAR!”
Olavo Bilac

Demonstre seu repúdio contra a Consulta Pública que definirá espécies da fauna como animais de estimação.

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Silêncio

É estranho, quanto menos saímos para observar os pássaros menos percebemos sua presença.

De certa forma, parece natural, mas é estranho. Os lindos pássaros estão lá, difundindo-se com a velha e cinzenta paisagem e mesmo assim, passamos afoitos e não olhamos para eles. Mesmo que cantem esganiçado para chamar a atenção, de reto passamos e não lhes damos atenção.

Hoje pela manhã notei vários periquitos em um coqueiro na praça. Isso alimenta-me por um dia. É bom saber que há vida lá fora… ainda.

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O preço das aves

Frequentemente pessoas que caem no meu blog estavam pesquisando “preço de papagaio”, ou “preço de araras” ou “preço de maritacas”. E não são poucas, infelizmente, mais se procura sobre o preço de um canário ou sobre qual a diferença dentre este ou aquele canário, visualizado num sítio.

Sou contra animais silvestres criados em cativeiro justamente porque eles não tem preço. A liberdade é um direito imensurável de todos terráqueos. É sabido que um concenso da humanidade embasou leis morais e cívicas que privam de liberdade alguns humanos que as transgridem, mas qual o motido de provarmos seres vivos que nada tem a ver com essas leis? O fato de querermos contemplar a beleza vislumbre de uma arara não explica privar de voar um animal que vive em média 50 anos. Experimente visitar parques de áreas densamente arborizadas e facilmente vai também observar esses lindos animais voando livremente. Tucanos são lindos de ver voando, em seus movimentos ondulares.

Foto Eric Gallardo

O preço de um papagaio pode custar a extinção deste na natureza e mesmo que venham com a balela de criadouros liberados pelo Ibama, todos sabem, que a única fonte viável de animais silvestres é o tráfico. O resto é burocracia, afinal de contas, quem paga R$ 2.000 por um papagaio quando se pode comprar por R$ 20 no mercado paralelo? Passei algumas horas observando um casal de papagaios “conversando” uma vez, pagaria qualquer valor por aquela imagem denovo, mas provavelmente, aquele casal foi furtado e sua prole encarcerada. 

Muito vou falar sobre animais em cativeiro aqui, mas por hora digo para aqueles que querem comprar um tucano, arara, trinca-ferro ou curió, a liberdade destes bichos não tem preço, procure um grupo de observadores perto de sua casa e terá imenso prazer em descobrí-los soltos na natureza.

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Pássaros e não paisagem

A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador.
Quando se é piloto e não passageiro; pássaro e não paisagem.

Comercial da VISA do ano de 2004

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Análise: NATUREZA RADICAL

Título: NATUREZA RADICAL
Editora: EDIOURO
Assunto BIOLOGIA

ISBN: 9788500019920 Ano Public.: N/I
Edição: 1 Volume: 0
Coleção: N/I Páginas: 136
Acabamento: Brochura Local Pub.: RIO DE JANEIRO
Status: Esgotado Preço: R$ R$ 49,90

Divertido livro que parece ser inspirado na série televisava do Animal Planet, Ao Extremo. Nele encontramos recordes de muitos animais e as mais divertidas constatações do mundo natural. Nele você encontra recordes dos nossos amigos alados, como exemplo, o Cisne Pequeno que é a ave com maior número de penas, 25.215 e a Coruja Buraqueira que faz o uso mais criativo de estrume (!).

Leitura fácil e agradável, serve para entreter crianças e adultos despertando interesse para o mundo animal em qualquer um que se disponha a folheá-lo durante alguns minutos.

Recomendo.

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Sobre nome popular Maritaca

É comum habitantes paulistas e paulistanos atribuírem o nome Maritaca para qualquer psitacídeo que voe sobre nossos telhados.
Por curiosidade fui olhar a lista de nomes populares do CEO  e achei apenas uma ocorrência “tui-maritaca – Pionopsitta pileata” e que não é exatamente “Maritaca”.
Perguntei aos amigos de trabalho e familiares e todos prontamente disseram, “É um tipo de papagaio” ou “Passarinho verde barulhento”.
Também pesquisei Maritacas no google imagens e me retornaram vários psitacídeos.
 
O assunto parece fútil, mas surgiu de minha estranheza pelo fato deste nome tão popular não estar na lista do CEO, que considera apenas nomes populares constantes na literatura, ou seja, em dados publicados.

Circulei entre amigos a questão:

Seria Maritaca um nome popular da família e não de uma determinada espécie, assim como Papagaio, Gavião, Urubu, Tucano ou Beija Flor?

Obtive explicações tão profundas que me fizeram pensar em escrever uma tese sobre o assunto. Segue uma compilação de conclusões.

  • Pode ser que, em São Paulo, Maritaca seja o nome popular da família, mas no sul da Bahia não é. Será que é válido para todo o estado da Bahia? E do País?
  • No sul da Bahia “maritaca” não é um nome muito utilizado. Lá, na verdade, qualquer psitacídeo de grande porte é “papagaio”, de pequeno porte é “periquito” ou “fura mato”, de pequeníssimo porte (!) é “cuiubinha”. Este último nome é dado ao Forpus xanthopterygius (Tuim), mas também usam para Pyrrhura e Brotogeris.
  • No sul do país (SC) o pessoal chama de “baitaca”, o mesmo que “maitaca” ou “maritaca” paulistas.
  • Na região central da cidade de SP (área mais urbanizada) as pessoas chamam os periquitos-verdes (Brotogeris tirica) de maritaca/maitaca. Com certeza os demais psitacídeos pequenos de rabo longo que vivem nesta região também são confundidos com os periquitos e chamados de maritaca ou seja, todos os periquitos da região urbana de SP são chamados de maricaca pela população em geral.
  • Tuim é tuim, sem problemas.
  • Papagaio é papagaio, é difícil alguém confundir um papagaio com um periquito-verde e consequentemente chamá-lo de maritaca.
  • As pessoas que moram na região central da cidade não sabem o que é uma maitaca/maritaca e por algum motivo histórico chamam os periquitos de maritaca, já na região rural da cidade, as pessoas chamam periquito de periquito e maritaca de maritaca (entendo que aqui, são os psitacídeos de médio porte).
  • A espécie Pionus maximiliani (maitaca-verde), que só ocorre nas áreas verdes do entorno da cidade (Cantareira, Região Sul/Serra do Mar/Morro Grande, etc) são chamados de maitaca/maritaca pelos moradores destas áreas, que não os confundem com os periquitos, que para eles são periquitos. 
  • Tudo indica que maritaca é mesmo um nome genérico, aplicado a alguns psitacídeos, de tamanho intermediário entre os periquitos e os papagaios.

Infelizmente estamos longe de conseguir padronizar os nomes vulgares em uma escala nacional, mas talvez isso seja possível dentro da comunidade ornitológica ou de observadores de aves. Eu sigo a lista do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) para citar nomes populares em tudo que faço, desde este blog, até meus arquivos pessoais de fotos.

Dentro da diversidade de nomes populares para cada região brasileira temos também as diferentes grafias para, talvez, a mesma entidade biológica: maritaca, maitaca, matraca, manitaca, etc.

Deliciei-me com esse assunto, primeiro, com as respostas tão cuidadosamente grafadas pelos amigos do CEO, Andre, Luiz e Fabio, que deram origem a série de conclusões acima, segundo, pela enquete que fiz com amigos perguntando “O que é Maritaca?” que além das respostas ornitológicas como “papagaio que grita”, “tipo um papagaio que anda de bando e que faz barulho”, “passarinho verde gritão” também tive como respostas “Minha esposa”, “Meu irmão” ou simplesmente “Não sei”.
 
Um dia fotografando um bando de Maracanãs Pequenas (Diopsittaca nobilis) atraí a atenção de 3 velhinhas que quase me bateram com o guarda-chuva quando disse que não eram Maritacas no final… elas até que estavam certas.

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Análise: Aves Brasileiras – Uma visão fotográfica

Título: Aves Brasileiras – Uma visão fotográfica
Editora: CODICE COM. DISTR. CASA EDITORIAL LTDA
Assunto ZOOLOGIA

ISBN: 8599696017 Ano Public.: 2005
Edição: 1 Volume: 1
Coleção: N/I Páginas: 200
Acabamento: Brochura Local Pub.: BRASILIA
Status Disponível R$ 90,00

Livro para ser apreciado em tardes de domingo. Não é um guia, portanto não possui índice, informações extras ou agrupamento das espécies. Possui 360 fotografias de 260 espécies de aves que valorizam a beleza plástica dos animais. Com textos bem sintéticos sobre práticas de observação de aves, endemismo, habitats e histórias do autor, as fotografias ganham vida e tornam este livro uma verdadeira obra de arte.

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Análise: GUIA DE CAMPO – AVES DA GRANDE SAO PAULO

Título: GUIA DE CAMPO – AVES DA GRANDE SAO PAULO
Editora: AVES E FOTOS
Assunto ZOOLOGIA

ISBN: 9788598153018 Ano Public.: 2004
Edição: 1 Volume: 1
Coleção: N/I Páginas: 320
Acabamento: Brochura Local Pub.: SAO PAULO
Status: DISPONÍVEL Preço: R$ 50,00

Companheiro de muitas jornadas este guia realmente faz jus ao seu título. O GUIA DE CAMPO – AVES DA GRANDE SAO PAULO é realmente de campo, por 3 motivos: Pequeno, Leve e de fácil localização das espécies. Constituído por fotos e não por ilustrações é bem sintético mas pode ajudar muito por conter boas fotos e informações importantes como distribuição, tamanho e algum dado sobre o comportamento.

Pontos Positivos

  1. Por ser leve, pequeno e com capa fina o manuseio em campo é ideal
  2. Preço acessível
  3. Fotos podem ser mais esclarecedoras que ilustrações
  4. Índices de famílias, espécies e nomes populares facilitam a consulta
  5. Todas informações numa única folha

Pontos Negativos

  1. Não tem todas as espécies. Claro que não seria possível, mas no primeiro dia de uso avistei várias Tringas no PE do Tietê. Decepcionei-me quando descobri que não há nenhum Maçarico no guia
  2. Algumas (poucas) fotos são pouco esclarecedoras como os Andorinhões por exemplo
  3. Informações bem sintéticas servindo apenas para identificações mais simples (não chega a ser um ponto negativo visto que a proposta do livro é esta, se você quer um guia sobre comportamento das aves, este não é o caso)
  4. Apresenta apenas uma ou duas variações de nomes populares

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Análise: AVES DO BRASIL – UMA VISÃO ARTÍSTICA – 2ª EDIÇÃO (C/ CD-ÁUDIO)

Título: AVES DO BRASIL – UMA VISÃO ARTÍSTICA – 2ª EDIÇÃO (C/ CD-ÁUDIO)
Editora: AVIS BRASILIS
Assunto ZOOLOGIA

ISBN: 8560120009 Ano Public.: N/I
Edição: 2 Volume: 0
Coleção: N/I Páginas: 672
Acabamento: Encadernado Local Pub.: VINHEDO
Status: Disponível Preço: R$ R$ 270,00

Comprei o livro AVES DO BRASIL – UMA VISÃO ARTÍSTICA – 2ª EDIÇÃO (C/ CD-ÁUDIO) porque não tinha ainda uma grande referência sobre ornitologia, visto que o Ornitologia Brasileira de Helmut Sick está Fora de Catálogo.

O livro é bem completo e engloba temas interessantes sobre anatomia, habitats, comportamento e até dicas de fotografia, ilustração e observação. Possui extensa prancha de espécies ressaltando o dimorfismo entre sexo e idade, o que é um ponto positivo.

Pontos Positivos:

  1. Capa dura, capa de proteção e encarte
  2. Material de qualidade
  3. CD com vozes de algumas espécies. Apesar de hoje ser relativamente fácil de se encontrar vozes das espécies pela internet, nem todos tem acesso a tais recursos, o CD é uma ferramenta muito boa de instrução.
  4. Ilustrações muito bonitas, completas e com ampla variação entre sexo idade ou fases das espécies
  5. Detalhado material sobre morfologia das aves, habitats e outros assuntos
  6. Todas espécies do Brasil. Espécies recentemente registradas ou com registros duvidosos já estão neste livro, o que amplia bastante o poder de comparação entre elas
  7. Notas de observação pessoal do autor ajudam a montar o perfil da espécie
  8. Nomenclatura de acordo com o CBRO
  9. Agrupamento por famílias e por “tipos populares”. No título das páginas ele agrupa as espécies como “Marias-lavadeiras” ou “Papagaios e Tiribas” o que realmente ajuda quando estamos folheando procurando algo que temos apenas uma idéia do que seja
  10. Ampla variação de nomes populares para cada espécie

Pontos Negativos:

  1. O preço. Mesmo com a excelente qualidade do material, R$ 270,00 é um preço pouco acessível e com certeza pouquíssimos privilegiados vão desfrutar desta obra
  2. O tamanho, por ser muito grande e pesado é difícil de manusear
  3. Não possui as informações das espécies na mesma página ou local das pranchas, sendo assim, qualquer consulta demanda várias e várias folhadas, é complicado. Exemplo, muitas espécies possuem no tamanho seu ponto chave de diferenciação, neste caso, a prancha está numa página e a informação do tamanho está 200 páginas depois. Juntar a prancha com a informação da espécie facilitaria muito
  4. Alguns animais estão ilustrados apenas em posição de vôo, por exemplo, o Biguatinga, que só possui uma prancha, com ele voando visto de baixo para cima, mas são poucos
  5. Se não fosse bilíngue (Português/Inglês) seria mais barato e menor, poderia ter uma edição só em português e outra só em inglês.

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Análise: AVES BRASILEIRAS E PLANTAS QUE AS ATRAEM – 3ª EDIÇÃO

Título: AVES BRASILEIRAS E PLANTAS QUE AS ATRAEM – 3ª EDIÇÃO
Editora: ZAMBONI BOOKS
Assunto ZOOLOGIA

ISBN: 8585015071 Ano Public.: N/I
Edição: 3 Volume: 0
Coleção: N/I Páginas: 480
Acabamento: Encadernado Local Pub.: SÃO PAULO
Status: Disponível Preço: R$ R$ 89,00

O livro AVES BRASILEIRAS E PLANTAS QUE AS ATRAEM – 3ª EDIÇÃO é um clássico. Dalgas foi o primeiro a publicar um guia de aves, o primeiro a publicar discos com vozes de aves e o primeiro a divulgar na mídia, e até a divulgar para outros países do mundo, a beleza de nossas aves. Homenageado no V Congresso Brasileiro de Ornitologia, em Campinas, em 1996, o polêmico Johan Dalgas Frisch e o seu alcance na mídia confere a este livro uma aura de pop star entre os guias. Em sua 3ª edição alguns dos erros mais graves foram corrigidos. Na época em que foi publicado, era o único guia brasileiro, serviu bastante para muita gente, inclusive para muitos que hoje são os grandes ornitólogos brasileiros. Ele tem hoje quase que um valor histórico, possuidor de grande mérito à sua época.

Pontos Positivos

  1. O “dicionário” dos nomes científicos no rodapé das páginas faz valer a pena ter este livro. Explica a origem do nome científico de cada espécie, pessoalmente acho espetacular
  2. O adendo das plantas que atraem as aves apesar de pouco didático, é muito interessante e ajuda na identificação das plantas também
  3. Capa bem dura e tamanho padrão permitem até mesmo um manuseio em campo, apesar de não ser um guia de campo
  4. Acompanha a biografia do Frisch
  5. Informações centralizadas em uma só área

Pontos Negativos

  1. As ilustrações variam o estilo e muitas são bem ruins e pouco elucidativas. Exemplo as Corujas, Beija-flores e Papagaios. As ilustrações foram feitas na década de 70, pelo pai do Dalgas, difícil comparar com as ilustrações dos guias atuais.
  2. Possui alguns erros
  3. Não contém todas as espécies (Ex. Brotogeris chiriri). Svend Frisch, desenhista e pai do autor morreu o que talvez explique a ausência de algumas espécies
  4. Não segue o padrão de nomenclatura do CBRO
  5. Pouca variação de nomes populares
  6. Distribuição geográfica das espécies desatualizada

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